A Ordem dos Advogados entregou, no dia 10 de março, o Prémio Elina Guimarães de 2026 a Leonor Beleza.
Presidente do Conselho de Administração da Fundação Champalimaud, centro de investigação de vanguarda nas ciências biomédicas, Leonor Beleza é também jurista, antiga ministra e uma reconhecida defensora dos direitos das mulheres. Prova disso é o Plano de Igualdade de Género da Fundação Champalimaud, que visa garantir a equidade no ambiente de trabalho, nos projetos de investigação e na prática clínica.
O seu papel na defesa dos direitos das mulheres começou, contudo, muito antes, nos anos quentes do período pós-revolução, em áreas tradicionalmente dominadas por homens, tanto em Portugal como na Europa.
Leonor Beleza surge, assim, como uma das sucessoras de Elina Guimarães, jurista, escritora e ativista, cuja vida atravessou praticamente todo o século XX e que combateu a opressão, defendendo os direitos das mulheres no tempo da ditadura.
Numa altura em que as profissões jurídicas — da advocacia à magistratura ou ao notariado — são, em Portugal, maioritariamente exercidas por mulheres, continua a fazer sentido falar dos seus direitos, sobretudo num mundo global que ainda não as trata de forma igual e num país em que a violência doméstica e o feminicídio continuam a apresentar estatísticas que envergonham um Estado democrático.
A cerimónia desta quarta-feira, em que participou a Juíza Desembargadora Tânia Meireles da Cunha, uma das poucas mulheres presidente de um tribunal superior, foi também palco de reflexão sobre esta realidade social — e de reafirmação de que o Direito está do lado certo desta causa.


