“À Conversa no TCA Sul” — Direito Mental: porque não é só um problema dos outros

O Tribunal Central Administrativo Sul tem procurado reforçar a sua ligação à sociedade. Esta quinta-feira, 6 de novembro, a tarde foi reservada para estar “À Conversa no TCA Sul” sobre Direito Mental.

Para conversar com magistrados e funcionários do tribunal foram convidados Raquel Sampaio, advogada e cofundadora da associação Direito Mental, e João Vieira de Almeida, advogado e presidente do conselho de administração de uma das maiores sociedades de advogados do país.

Em comum, todos trabalham na área do Direito e todos, em algum momento da vida, podem, com ou sem razão aparente, enfrentar problemas do foro psicológico ou psiquiátrico.

Porém, não é fácil admiti-lo individualmente e, muito menos, manifestá-lo publicamente. Raquel Sampaio e João Vieira de Almeida têm tido a coragem não só de partilhar a sua experiência pessoal com a depressão, como de ajudar outros profissionais do Direito a refletir e a falar sobre o tema. Vergonha e estigma continuam a ser os maiores receios — e provavelmente os maiores obstáculos — para procurar ajuda.

Em profissões tradicionalmente conservadoras, esta conversa intimista permitiu a partilha daqueles que lutam com estas “vulnerabilidades”.

Como afirmou João Vieira de Almeida, a depressão “pode acontecer a qualquer um dentro desta sala. Todos temos este espaço vazio dentro de nós”. E não tem a ver com sucesso, posição social, harmonia familiar ou dinheiro.

Os diagnósticos — que podem ser diversos — não são fáceis de obter. A depressão não é o mesmo que tristeza, nem esta se confunde com ansiedade. “Não podemos simplesmente fazer um raio-X” e aguardar pelo diagnóstico, explicou Raquel Sampaio, sublinhando a importância de estar atento aos sinais: dormir mal, falta de apetite ou irritabilidade frequente são alguns sintomas de alerta. No fundo, é essencial ouvir o corpo.

Também é possível — e desejável — agir a nível preventivo. A associação Direito Mental tem sido proativa, trazendo o tema para cima da mesa, sensibilizando profissionais e chefias, e reforçando que estas doenças também atingem juristas e outros trabalhadores do setor. João Vieira de Almeida, que se define como um otimista por natureza, afirmou, na sua ótica “de utilizador”, que é hoje uma pessoa diferente: “A depressão abriu uma janela enorme para dentro de mim, para me conhecer melhor.”